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Qual é a finalidade de cuidar do meio ambiente?

Entender a finalidade do cuidado do meio ambiente significa, em outras palavras, entender qual Ética prevalece na relação humana com o meio ambiente. Quando falamos em ética, aparentemente não é possível a universalização (embora haja defensores do consenso moral - e eu sou uma - sim, I have a dream!).

O livro que mais me ajudou a entender essas percepções foi esse, lançado em 2004, pelo Prof. José Roque Junges, da Unisinos. Aqui pontuarei o que mais me chamou atenção nessa leitura.

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O livro explica as diversas éticas na relação do ser humano com o planeta. Inicia apresentando as questões relacionadas:
  • à ideia de superabundância da natureza;
  • à crença no caráter ilimitado dos recursos naturais;
  • à confiança 
    • na produção intensiva, 
    • no incremento do consumo e 
    • no poder da técnica para resolver problemas ambientais. 
Apresenta as principais teorias que justificam a relação homem-ambiente: 
  • antropocentrismo mitigado, 
  • biocentrismo e 
  • outras teorias críticas. 
Adiante, apresenta as questões sobre a globalização e teorias menos ligadas ao meio acadêmico. Caminhando, ressalta que 

A resposta verdadeira é ética e cultural. A crise pede ecologia crítica, solução global e ecossistêmica.

Adiante trata de temas tais como a biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e consumo. Em seus capítulos finais, vai aprofundando suas análises. 

Um livro de cabeceira para quem quer pensar em si mesmo como parte de algo maior. 

É o que o estudo do meio ambiente faz comigo, esclarece o quanto a vida no planeta Terra é significativa, multifacetada, diversa. Sinto que esse estudo me coloca no meu devido lugar: 

uma minipeça dentro de um maximecanismo.

O estudo do meio ambiente motiva, ainda, o estudo das relações internacionais, pois coloca em questão que de pouco adiantará arrumar nosso quintal se o vizinho não fizer sua parte. Somos sócios (na acepção de "sociedade) de uma "casa comum", como bem explicita a Encíclica Laudato Si.

A teoria antropocêntrica mitigada pode ser vista no artigo 225 da Constituição brasileira, sobretudo após a inclusão do §7º, que representa (na minha concepção) o retrocesso de um avanço, rumo ao biocentrismo, que não aconteceu. Já a teoria ecocêntrica pode ser vista no artigo 71 da Constituição equatoriana, que trata a natureza como Pacha Mama, reconhecendo sua dignidade em si mesma.

É claro que não podemos controlar o que está fora do nosso alcance, mas se houver qualquer dúvida de que nossa relação com o meio ambiente, com a saúde, com nossa alimentação é uma questão política, aqui você entende o quanto que isso define a política. Quem quiser fazer o teste, basta refletir:

  • Eu me sinto bem consumindo produtos de origem animal?
  • Se eu opto por ser carnívora, por que eu como alguns animais e outros não?
  • Se uma formiga não quer esse doce (industrializado), por que eu deveria querer?
  • Se um agrotóxico é suficiente para evitar o estrago de uma fruta, por que eu deveria ingeri-la?
  • Se algo não estraga, como pode fazer bem para mim?
  • Para onde vão as roupas quando ninguém as quer mais?
  • Como se joga o lixo "fora", se não houver "fora"? E se houver, que "fora" seria esse? 

Os questionamentos podem ir ao infinito. 

Prescrição: Se há algo que merece o meu tempo, são essas reflexões.

Referência: 
JUNGES, J. R. (Bio)ética Ambiental. São Leopoldo, RS: UNISINOS, 2010. 2.ed. 144p.

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